Metodologias

O GNova vem utilizando métodos ágeis, protótipos, experimentos, testes e entrevistas com usuários numa combinação de metodologias das ciências sociais e do design para construir novas respostas aos desafios públicos. Comparativamente a outros métodos tradicionais, o aprendizado gerado com o seu emprego é extremamente rápido, possibilitando descartar propostas ineficazes e fortalecer aquelas que apresentam mais efetividade para a sociedade.

As metodologias que vêm sendo testadas pelo GNova podem ser utilizadas por equipes de governo em vários dos estágios de uma política pública, com o objetivo de compreender as necessidades dos cidadãos e organizações.

Em geral, as metodologias utilizadas nos projetos desenvolvidos variaram de acordo com o objeto, mantendo em comum: identificação e caracterização do problema, prioridades e tarefas chaves; a criação de ideias que impactam nessas áreas; sugestão de caminhos para promover mudanças de alto impacto; desenho e teste de protótipos de soluções; e validação ou readequação de soluções. As principais metodologias adotadas pelo laboratório até o momento foram design thinking, design etnográfico, imersão ágil: checagem de realidade em políticas públicas e insights comportamentais.


Design thinking em projetos de Inovação

Abordagem tomada do campo do design e adaptada para o contexto da administração pública como uma forma de lidar com os chamados wicked problems (problemas traiçoeiros) e gerar valor público. O termo pressupõe “pensar como um designer”, e se traduz como um modelo de pensamento e uma prática criativa, questionadora, experimental, colaborativa e centrada nas pessoas, abrangendo etapas como imersão, análise e síntese, ideação e prototipagem.


Design etnográfico

Design etnográfico é nome dado a uma etapa de um processo de design em que fazemos um mergulho para entender com profundidade uma determinada realidade que queremos transformar a partir do olhar do usuário de um serviço ou beneficiário de uma política pública. Para isso, realizamos uma pesquisa de campo utilizando nossas capacidades de observar, interagir e imergir na realidade do outro com o objetivo de obter insights que orientem uma transformação em uma política pública. O design etnográfico pode ser utilizado em diferentes etapas do ciclo de política pública. Com base em sua experiência prática no tema, o GNova lançou um guia para auxiliar agentes públicos a utilizarem o design etnográfico em sua atuação profissional.


Imersão ágil: checagem de realidade em políticas públicas

Trata-se de uma metodologia que envolve rapidamente especialistas, usuários e atores interessados para gerar entendimento sobre a realidade de um problema e criar soluções para serviços, práticas de gestão ou políticas públicas. É adequada quando o tempo é uma variável crítica e o envolvimento e validação junto a outros atores é desejado.

A sua utilização é particularmente útil porque pode haver uma distância significativa entre as concepções dos formuladores de políticas, os servidores que têm que fazer isso acontecer na prática e os usuários finais do serviço. Essa abordagem é indicada para variadas fases do ciclo de políticas públicas porque reúne os agentes envolvidos com o problema para gerar ideias, testar novos conceitos e práticas de gestão e explorar a implementação de soluções; para entender como uma iniciativa é interpretada e traduzida na prática, como está funcionando ou como poderia funcionar melhor; e para identificar se os funcionários entenderam as intenções de uma iniciativa ou se a iniciativa cria o valor pretendido para os cidadãos. O GNova também lançou um guia prático voltado a orientar servidores públicos na utilização desta metodologia.


Insights comportamentais

Uma abordagem que vem obtendo destaque no ambiente da inovação em políticas públicas provém do campo multidisciplinar da economia comportamental, ou ciências comportamentais aplicadas. Seu ponto de partida é o reconhecimento da insuficiência do modelo do agente racional para compreender o processo decisório das pessoas reais. O enfoque critica o modelo dedutivo da economia tradicional e parte para a observação de como as pessoas tomam decisões. Suas escolhas decorrem de limitações em suas capacidades cognitivas, de inconsistências em suas ações e são fortemente influenciadas pelo contexto. Muitas dessas escolhas são contraditórias com o que as próprias pessoas considerariam de seu melhor interesse.

O GNova tem empregado esse enfoque inovador, explorado possibilidades de sua incorporação ao processo de formulação, implementação e avaliação das políticas públicas no Brasil a partir da aplicação em alguns de seus projetos com parceiros interessados no tema. Para tanto, tem sido empregado um protótipo para a consideração de elementos comportamentais relevantes para o aprimoramento das políticas públicas.

Similarmente, a Enap tem atuado intensamente na promoção de tais abordagem em políticas públicas, tanto estruturando cursos específicos sobre insights comportamentais aplicados a políticas públicas, quanto organizando seminários, workshops e demais atividades de disseminação de conhecimento e boas práticas sobre o tema. Ainda nessa temática, destaca-se a formação de uma rede de articulação congregando atores relevantes na temática, com comunicação frequente e troca de experiências, conteúdos e informações.